Ir para conteúdo

Museu Municipal de Arqueologia acessível a todos os tipos de público

21/07/2020
Museu Municipal de Arqueologia acessível a todos os tipos de público
Museu Municipal de Arqueologia acessível a todos os tipos de público
 

O Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira voltou a reabrir portas, na passada quinta-feira, agora completamente acessível a todos os tipos de público. Prestes a completar 21 anos de existência, no próximo dia 20 de agosto, o equipamento praticamente não sofreu alterações desde a sua abertura, sendo este um momento de viragem em termos de acessibilidade. O espaço e a respetiva zona envolvente estão agora dotados de todos os meios necessários à criação de um percurso acessível para todos, independentemente das suas condições físicas, cognitivas, sociais e culturais.

Após vários meses fechado, o Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira reabriu ao público após um trabalho exaustivo de levantamento de todas as barreiras, que incluiu as barreiras físicas e da zona envolvente, das áreas visitáveis, dos lavabos, bem como das barreiras intelectuais e de comunicação do espaço expositivo, que culminou na realização de obras que transformaram o equipamento num espaço totalmente acessível, dinâmico e inovador sob o ponto de vista tecnológico.

A obra, orçada em 283.714€ e que foi financiada pela Linha de Apoio ao Turismo Acessível do Turismo de Portugal em 157.53€, contribuiu para transformar o Museu num local mais acolhedor, acessível e interativo, reforçando a sua matriz, nomeadamente no que respeita à divulgação e fruição do conhecimento de forma plena, sem barreiras e promotora da igualdade de oportunidades no acesso à educação e à cultura.

O projeto de acessibilidade envolveu as obras físicas do espaço, que consistiram na criação de uma segunda entrada no Museu para visitantes com mobilidade reduzida ou em cadeira de rodas, instalações sanitárias adaptadas a pessoas com deficiência e respetiva plataforma de acesso, colocação de piso guia para deficientes visuais e criação de três lugares de estacionamento para pessoas com mobilidade reduzida.

Para melhorar a acessibilidade a nível intelectual foram introduzidas legendas em inglês e em braile em todas as peças e vitrines e há réplicas de peças originais que podem ser tocadas por invisuais ou por quem pretender uma experiência mais sensorial. Na sala dedicada à pré-história foi colocada uma parede de imagem projetada que conta a evolução da humanidade, a partir de um vídeo com locução em português e legendagem em inglês e língua gestual.

A visita ao Museu pode ser acompanhada através da disponibilização de um tablet com acesso aos conteúdos audioguia em português, inglês, espanhol, alemão e francês, língua gestual portuguesa e inglesa e ainda uma versão para o público infantil, também em português e inglês. Os mais pequeninos também foram contemplados com um um jogo interativo que os convida a descobrir a História de Albufeira de forma divertida, disponível também nas várias línguas.

Após a visita ao Museu, que se fez com poucos convidados, divididos por grupos e respeitando as regras do Plano de Contingência do edifício, o presidente da Câmara Municipal de Albufeira manifestou-se muito satisfeito e orgulhoso pela reabertura do espaço, destacando a importância da obra no plano das acessibilidades e da recuperação do património cultural da cidade. José Carlos Rolo sublinhou que “Albufeira é um destino turístico conhecido pela beleza e qualidade ambiental das suas praias mas é fundamental, cada vez mais, apostarmos no nosso património cultural. Esta complementaridade é fundamental para a diversificação do destino”. Por outro lado, frisou “o Turismo acessível é cada vez mais importante na Europa; daí a importância desta intervenção que faz parte de um projeto mais alargado que integra a recuperação de toda a zona histórica. Para além desta obra, focada na acessibilidade a nível físico, audiovisual, auditivo e na disponibilização de conteúdos informativos em vários idiomas e em linguagem gestual, há a referir a recuperação dos vestígios arqueológicos em frente ao Museu, a recuperação da antiga Igreja Matriz (obra já adjudicada), a recuperação do antigo Tribunal que irá ser transformado num Centro de Artes e do antigo Hospital, propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira, que também já está a ser equacionada”, o que irá fazer do Centro antigo uma zona muito interessante para visitar.

Ana Pífaro, vice-presidente e vereadora responsável pelo pelouro da Cultura do Município, reiterou as palavras do presidente sobre a importância do turismo acessível e da recuperação da zona histórica “temos praias acessíveis, hotéis com todas as condições para receber turistas com dificuldades motoras e intelectuais e é fundamental que também os serviços públicos estejam adaptados para receber todas as pessoas ”.

Adriana Nogueira, diretora regional da Cultura do Algarve, pegou nas palavras do presidente para concordar com a importância da recuperação do património construído, tendo acrescentado que o mesmo deve ser complementado com a preservação do património imaterial. “É preciso saber ouvir os mais velhos, guardar todas as histórias, todos os saberes que fazem com que as pessoas se sintam mais próximas dos locais e assim quem nos visita também vai sentir essa ligação”. Há que avançar sempre para a preservação do que temos, daquilo que ainda não foi destruído, classificar, proteger e tornar acessível a todos, concluiu.

Paulo Freitas, presidente da Assembleia Municipal de Albufeira, fez questão de sublinhar que este dia constitui um marco histórico para o concelho. “A recuperação do Museu, e de toda a zona envolvente, é um ponto de charneira para que se consiga requalificar o património cultural”. São pequenos passos como este que levam a que se tomem grandes medidas que assentam na mudança de mentalidades. “O turismo continua a ser a principal atividade do concelho, mas começa a haver uma visão que vai para além da noite, uma visão cada vez mais social e integradora, que nos leva a um desenvolvimento cultural sustentável”.